todos os escritores s?o lixo!
Quinta-feira, Agosto 29, 2002
abaixo desse há três posts novos, o que me isenta da obrigação de atualizar essa porra pelos próximos dias, durante os quais, espero eu, estarei bêbado.
"mulheres"
diálogo de ICQ entre coiote e menezes
-salve salve! tudo bom?
-tudo! pra mim sempre é um prazer encontra-lo, um quiloprático em se tratando de mulheres, eta assunto agradável...
-de fato, interessantíssimo
-poisé, sabe quando tu lê aqueles escritores fascinados com o assunto, falando com um amor pela espécie, e não por uma mulher em sí. Eu ando nesse estado extasiástico, amando as formas curvas e os discretos pêlos,ó vida boa
-eu tbm ando assim. ando na rua, penso em mulheres, e fico fascinado
-é tão fantástico... que ser divino. Sério, cada mulher tem algo de fascinante... a levezaa no tratar e tudo mais... eu ando entre mulheres bem interessantes, talvez seja isso que me faz ficar assim, mas enfim, enfim...
-sim sim, eu tbm. vejo mulheres estúpidas sendo estúpidas na tv, e penso em como seria conhecer detalhes delas que muitos desconhecem, e nao penso nisso apenas no sentido punheteiro da coisa. tbm penso nas minhas amigas, nas impressoes que já tive e que tenho delas, e que tão bem conheço, ou tao pouco conheço e quero conhecer mais. não saberia descrever oq sinto, mas 'fascinação', 'espanto', 'admiração' dizem muito..
-podes crer. E eu tenho procurado uma limpidez sincera em meus relacionamentos, tenho dito sempre o que eu sinto e de uma forma franca e amiga. Tem dado muito certo, mas muito certo mesmo, alem de me ajudar a dormir o sono dos justos e ver a vida de forma harmoniosa
-eu entendo. mas minha honestidade com as garotas depende ainda de minha intimidade com elas, o quanto conheço e confio
-sim, sim, perfeitamente colocada a ressalva. bem lembrado. Bem ou bem, é ótimo não entende-las
-mas é ótimo chegarmos mais perto de um entendimento, mesmo que inintecionalmente. e quando se dá por si, é 'wow, agora entendo as mulheres um pouco mais', aquela sensaçao de ter passado os últimos anos vendados
-exato! mas tirar as vendas é um processo demorado e onde reside a sabedoria. E ainda assim, por mais que entendamos, elas continuam sendo surpreendentes. pra mim o amor vive na surpresa, ou melhor, da surpresa. ainda mais nesse mundo onde todos buscam certa estabilidade e a configuração da vida pra que tudo saia linearmente no seu lugar, nessa rotina sem sal. Viva a surpresa. menezes ama-lo é surpreende-lo.
-bom, eu poderia surpreende-lo agora de alguma forma, ou ao menos tentar, mas não vejo pq demonstrar amor, e não faria de forma leviana, desnecessário. enfim, disseste oq há pra dizer: elas surpreendem, e isso é mais uma das coisas que as tornam fascinantes. e se cada vez que as entendemos um pouco mais de alguma forma, ficamos fascinados, e elas nos surpreendem ao nos darem essa 'deixa' que nos aproxima mais do entendimento completo -se ele existe-, = fascinação²
breve diálogo
-Sabe aquele texto do Bukowsky, que ele explica, no meio do texto, quando tá mudando de assunto, sobre como ele tem o costume de mudar de assunto no meio do texto?
-Sim, e adorei aquele trecho! Mas não é influência do Bukowsky, não totalmente. É que a maioria dos meus textos são pensamentos transcritos. Tipo, às vezes eu to no onibus pensando em assunto qualquer que me vem à mente, talvez graças a um sinal na rua, ou observações pessoais sobre alguém que acaba de subir. E os pensamentos surgem, claro, em cadeia, então às vezes começo a dissertar algo, ou até mesmo discutir comigo mesmo. Claro que nao é como se duas subpersonalidades minhas, digamos Paulinho e coiote, ficassem discutindo uma com a outra. Mesmo pq isso seria absurdo, eles raramente discordam um do outro.
leitura recomendadíssima: "a mulher mais linda da cidade e outros contos", da coleção 'pocket' da L&PM. Reunião de contos do Bukowsky
agradecimentos, novamente, a DanielCampos por me encaminhar na admiração por Bukowsky hehe
"Churrasco" (ou 'churrasco e cerveja', mas isso é um pleonasmo circunstancial)
-churrasco é péssimo. é sempre uma ÓTIMA idéia, mas um péssimo evento. o churrasco, como evento que reúne pessoas, possui ceva. do contrário, as pessoas nem gostariam tanto, ele perderia todo seu efeito quase mágico que tem sobre os sulista-rio-grandenses e tantos outros brasileiros. portanto, churrasco = churrasco + ceva. churrasco embucha, ceva embucha; embucho² = sensação desagradável de ajojo, chegando quase à depressão.
-tu é fresco.
-não, aí é que está. fresco seria quem chegasse num churrasco e medisse o quanto beber de ceva e o quanto comer de carne, para evitar se embuchar demais e ter sua noite desgraçada. portanto, NÃO SE PODE ir num churrasco sem comer e beber mais do que gostaria de ter comido e bebido.
fique claro que adoro churrasco e adoro cerveja.
Terça-feira, Agosto 27, 2002
"14 anos, sexo, sangue"
14 anos na cara, muitas histórias no passado e muitos homens no encalço. Ela gostava do poder que seu corpo e rosto lhe davam, da sensação de estar constantemente no pensamento de tantas pessoas. Os namorados de suas amigas, propositadamente ou não, descreviam no olhar as cenas que imaginavam enquanto conversavam com ela tentando não parecerem excitados. Mas estavam. Um simples 'oi' passando macio por aqueles lábios e chegando aos ouvidos de um homem era mais do que o suficiente para colocar todo o ambiente em um clima completamente hormonal.
Cláudio corria de leve para alcançar seu amigo, que tinha acabado de sair do edifício para ir ao escritório.
'Zé Luís, espera!'-gritou-'tu esqueceu a lista dos funcionários sem plano de saúde!'
Seria um dia como qualquer outro. Zé Luís passara a noite com Cláudio, bebendo e fazendo anotações sobre os planos de saúde que seriam oferecidos a alguns funcionários da empresa, como plano de incentivo à produção. Na noite seguinte, Cláudio encontraria-se com a sedutora jovem.
Sem mais delongas, o texto dá um pulo sobre o quê seria mais um dia na vida de um trabalhador comum, partindo diretamente para os eventos que se seguiriam após a abstinência temporária dos raios do sol.
Cláudio a levou para um restaurante no centro da cidade, de onde saíram às nove da noite. Direto para a casa dela. Os pais estavam viajando, a aptidão ao sexo era óbvia nos dois, aquela noite não poderia dar errado.
Entraram no quarto dela aos beijos e delicados flertes corporais. Ela deitou-se em sua cama, ele por cima. Em poucos segundos, estavam ambos nus sobre os lençois levemente bagunçados que tantas vezes aqueceram-na durante o sono. Ela acariciava seu pênis com a mão esquerda, enquanto com a outra deferia-lhe tapas no traseiro. 'tapas estranhamente agradáveis', ele pensava. quando alcançou o auge da ereção, ele afastou a mão da menina e beijou-a, preparando-se para o ato da penetração. Com delicadeza, após alguma dificuldade em posicionar-se corretamente, adentrou a delicada cavidade da moça com sua genitália. O coito não teria sido mais desagradável para ela sem a presença de Cláudio. Mas ele, cegado por sua preocupação maior em ter uma boa transa com uma garota que desejara por mais de meses, não percebia isso. Em menos de cinco minutos depois, já estaria tudo acabado. No momento em que sentiu o jato de gozo abandonando o corpo genital de seu parceiro e tomando por hospedaria seu aparelho sexual, ela esticou a mão para o lado, pegando a faca com 15 centímetros de lâmina que ficava sobre a cômoda. E enquanto ele gemia de prazer, ainda torturando-a com seu desempenho cinematograficamente medíocre, ela jogou sua mão contra o peito dele com toda a força que tinha. A lâmina atingiu-lhe o coração, e o tempo entre esse evento e a completa desobstruíção dos corpos cavernosos de seu pênis está abaixo do calculável, talvez nem existente. Ele agonizou sobre ela, gemendo, por não mais que 30 segundos, e desmaiou. Poucos minutos depois já estava morto.
Ela jogou o corpo sem vida pro lado, tapou-se com um dos lençóis, praticamente intacto, e suspirou.
Domingo, Agosto 25, 2002
A trajetória metamórfica de Cássio (completo)
Cássio era um bagaceiro. Escrevia pra cacete, mas não passava dum bagaceiro. Chulo, grosso, tarado 23 horas por dia. Mas um porra dum bom escritor. Ele escrevia contos pra zines fuleiros, daqueles que só se acha em pequenas revisterias no litoral. Já tinha enviado vários textos para jornais, revistas mais ‘respeitáveis’ e o diabo-a-quatro, mas nunca teve qualquer uma de suas pérolas publicadas em escala nacional. Se sentia injustiçado, ele sabia, do âmago de sua pleura à macia superfície de sua pele, que era um excelente escritor. E era hora de provar isso ao mundo. Seus amigos já haviam lhe aconselhado a usar um linguajar mais sutil, e não escrever tanto sobre sexo, bebedeiras e violência, mas ele nunca dera importância. Agora estava decidido a tentar. Ia escrever um conto mais politicamente correto, sem o uso exagerado de palavrões, para ter seu nome, enfim, figurando entre os grandes escritores do país-ou, quem sabe, do mundo.
Começou tentando falar de sua infância.
"Aos nove anos, tive minha primeira queda por uma professora. Ela era linda, apesar de burra como uma porta, e tão incompetente que fazia o jardineiro parecer o centro-chefe de toda a estrutura funcional da escola. Não conseguia parar de olhar pra ela, pro rosto dela...adorava sua voz, especialmente quando ela gritava comigo. Me dava vontade de...hm
Um dia estava no banheiro, e acho que essa foi minha primeira fantasia. Imaginei-a entrando, e flertando comigo. E ela dizia para eu pegar em seus seios e eu, embora nervoso, o fazia. E nós nos beijávamos e eu lhe tocava, e aquele era o nosso segredinho. Sabíamos que aquilo era errado. Errado, não; proibido. Acho que todas as fantasias que os juízes e legisladores de todo o mundo não conseguiram realizar, seja por serem um bando de manés ou por falta de oportunidade, foram ou ainda serão proibidas."
Ele estava sendo bem-sucedido na diminuição do uso de palavrões, mas, obviamente, ainda tinha 70% de sua criatividade concentrada no pau, e um certo rancor com toda e qualquer pequena coisa ou pessoa que o desagradasse de alguma forma. Escrever sobre a própria vida lhe parecera, de fato, uma idéia idiota. E, não tentemos negar, é uma idéia idiota. Tentou escrever sobre sua adolescência, mas a densidade de palavrões, xingamentos e reclamações era tão alta que chegava a irritar até mesmo o nosso querido protagonista. "Chega, vou escrever uma história, uma história do cacete, e todos vão gostar. E quem não gostar que se foda e vá reler ‘O Senhor dos Anéis’ então."
"Quatro da manhã. "
Começou mal. Já havia escrito dezenas de redações que começam com horário, data, turno ou o nome e/ou descrição do personagem principal (¬¬). Precisava renovar, e sabia que não poderia começar o parágrafo com ‘Putaquepariu!’ ou ‘Cacete fodido dos inferno’. Decidiu tentar algo bem simples.
"A funcionária do banco me olhava com suspeita. Percebi de cara que não confiava em mim. De fato, parecia prestes a saltar por sobre o balcão e me entupir de tapas."
Antes que terminasse a última linha, já acariciava o pênis ereto, e aquilo acabaria atrapalhando-o. Nova tentativa.
"A obesa funcionária do banco me olhava por baixo dos óculos fundo-de-garrafa com suspeita. Percebi de cara que aquela moça, com sotaque canadense, não gostava de mim. De fato, tinha vontade de esmurra-la ali mesmo e enfiar a porra do meu pé no nariz daquela vadia."
Cássio sentia vontade de rasgar a folha de papel, joga-la na lixeira e tomar uma dose de uísque. E o faria, se não estivesse digitando os seus textos em um Pentium 166, com o qual mantinha uma relação amor-e-ódio desde '97. Contentou-se com o uísque e decidiu continuar o trabalho na manhã seguinte.
Às 11 da manhã, Cássio acordou pronto para retomar o serviço. Depois de um suco, e com a dose de Caiari pronta para abastece-lo durante o trabalho, ele ligou o computador e pôs-se a pensar sobre o que escreveria. Decidiu escrever um texto recheado de diálogos intensos, uma espécie de sitcom literária. A idéia não podia lhe agradar mais, Cássio adorava assistir sitcoms, e tal demanda certamente não permitiria presença exacerbada de sexo ou palavreado ofensivo. Tampouco violência ou drogas. E embora ele nunca tivesse escrito qualquer texto em estilo semelhante, sua arrogância não permitia-lhe supor a hipótese de simplesmente não conseguir concretizar o que tinha em mente. Pôs-se a digitar.
“Gui, o engraçadinho do grupo, chegou da cozinha com uma garrafa de Polar numa mão e um copo na outra. Três de seus amigos já estavam na sala, ouvindo jazz e tentando manter uma discussão sensata sobre o plano de reunificação da Pangéia, elaborado por um deles."
Bloqueio. Cássio simplesmente não sabia o que seguiria. Não elaborara qualquer diálogo interessante ou piada, e certamente não conseguia pressionar-se a criar uma. Tomava um gole de seu drinque, olhava pra tela, pensava, outro gole. Algumas voltas pela casa, mesmo resultado. Poucas vezes se sentira tão frustrado em sua vida. Não ser publicado como queria? Tudo bem. Avaliações literárias ofensivas e, segundo ele, desprovidas de honestidade crítica? Não tem como evitar. Mas simplesmente não conseguir escrever? Isso era simplesmente inaceitável para Cássio. Sentia-se preso num labirinto, derrotado em uma charada mental, queria buscar formas de inspirar-se, mas não conseguia. Engoliu o que sobrara de seu uísque misturado a vodka e gelo (agora já derretido) e levantou-se. Voltando ao quarto, ouvia, das caixas de som, uma música do Jesus & Mary Chain, ‘Sometimes, Always’. Foi como a maldita maçã caindo sobre sua cabeça, ‘professor pardal lamberia o cu de tanta inveja’, pensou alto. Estava decidido a escrever um pequeno texto-diálogo baseado na letra da música, extremamente semelhante às situações apresentadas em suas amadas comédias americanas.
“JP voltou da cozinha com 3 cubos de gelo em mãos. Despejou-os no copo e serviu meia dose de Smirnoff. Completou com uísque Wall Street e balançou os gelos com o indicador direito. Gui subitamente virou-se para ele e perguntou:
-Queéissomeu???
-Caiari Under Rocks; uísque com vodka e gelo.
-Nossa senhora...
–Nada a ver, é tão forte quanto qualquer uísque ou vodka. Quer um gole?
-Nah, to bebendo ceva já.
Depois de alguns minutos conversando sobre os meios criador por Rafael para reunificar a Pangéia, foram relembrando suas antigas revoluções ideológicas pessoais, e como começaram a andar juntos, e logo sua nostalgia já levava aos primeiros relacionamentos sexuais dentro do grupo. E JP, dominado parcialmente pelo trago, mas principalmente pela verdade que nunca ousou negar a si ou a qualquer um de seus amigos mais íntimos, começou a murmurar
–Sinto falta da Patrícia, cara, sinto tanto falta dela...sinto falta da Patrícicia, tanta falta...eu sinto muita falta da Patrícia, cara, sinto...
–Tá, chega!-interrompeu Gui-Porque não liga logo pra ela e para de nos encher?
-Pq são 3 da manhã, cara...
–To dizendo amanhã, mané
–Ah...sei lá...não falo com ela há tempos
–Te fode, então
E as conversas tomaram outro rumo. Mas durante o resto da noite, ou até ser convidado por Cláudio a uma atraente carreira de cocaína no centro de Porto Alegre, JP não parava de pensar na possibilidade de reatar com sua ex-namorada. Assim sendo, na tarde seguinte decidiu visita-la. Temia não encontra-la em casa, mas o importante para ele era garantir o fator surpresa. Uma pessoa surpresa é sempre mais vulnerável. Claro que ele não pensou isso, tão fria e logicamente, mas seu instinto sempre trabalhou em prol de quase todas as suas aspirações, o que tornava a derrota sempre uma dolorosa novidade.
Refeição, banho, roupas pretas, um drinque e as chaves do carro: estava pronto para um dos dias mais importantes de sua vida. Às 9 da noite estava na frente do apartamento de Patrícia. Tocou o interfone.
–É o JP
–á?! Sobe aí...
(ela não podia estar mais surpresa, de fato)
Depois dos cumprimentos formais, da desculpa de estar passando lá pois o bairro era caminho para uma festa, e de chama-la para conversar, foram para o quarto e...”
Nesse exato momento, Cássio sentiu-se tentado a tornar a história à mercê de sua libido, de encaminha-la a uma One-Night-Stand, mas seu instindo-e perseverança-insistiram que seguisse a idéia original.
“...foram para o quarto e JP, ainda um pouco nervoso, começou a conversação. Primeiro, perguntas de amigos-que-não-se-vêem-a-meses, até ter certeza de que ela estava livre e possivelmente disposta a adentrar novamente em um relacionamento sério. Deu todos os sinais evidenciando suas intenções, mas ela relutava.
–Olha, eu sei o que tu tá pensando, mas não adianta. Tu me largou! Tu simplesmente me largou! Eu fiz tudo por ti, tivemos momentos bons, e alguns ruins também, mas tu simplesmente jogou tudo que a gente tinha fora.
–Mas eu ainda gosto de ti, e muito! Por favor, não me faz implorar. Eu sei que sumi, que é minha culpa, mas agora eu tô de volta...
–Tu não pode pensar assim, não tem certeza. Tu foi embora, e tu não pode simplesmente voltar, como se nada tivesse acontecido
–Tá, seu sei que é minha culpa. Eu terminei, eu te machuquei, admito isso. Amor, só preciso de uma segunda chance
Ela ficou um tempo em silêncio, foi até a sala. Voltou, ainda séria, mas com um alegre brilho em seus olhos, e disse:
–Tu tem sorte mesmo...gosto de ti. Tu se foi, tu me largou, tu foi embora mas agora...agora tu voltou...
–Eu me ajoelhei, implorei, tudo que eu precisava era que tu me aceitasse de volta
Os dois se beijaram, como há muito tempo não se beijavam. E a sensação nostálgica foi a mesma, prazer e saudade, lamúria por tanto tempo separados, mas, enfim, felizes, por estarem novamente juntos.”
Cássio acendeu um cigarro, e releu tudo. Ficou simples demais, mas estava satisfeito. Conseguiu cumprir seu plano, e estava pronto para escrever novos textos, fossem românticos ou não, otimistas ou não, para ele o importante estava cumprido: alcançara um nível de versatilidade literária que antes sequer passava por sua cabeça. Fosse publicado e lido ou não, podia reconhecer sua própria capacidade de ir além. A partir daí, poderia trabalhar livremente tanto em projetos sérios quanto em textos de conotação pornográfica. Salvou o texto em disquete, e correu para a parada de ônibus. Não podia esperar para encontrar seus amigos no McDonald’s e mostrar-lhes sua mais nova ‘obra de arte’.
Se a trajetória de Cássio acabou? Sim. O que pode vir depois ou não, não me desperta interesse. Eu realmente imaginei que essa história se dividiria em uma série odisséica de textos, mas não posso controlar o funcionamento de minhas idéias, infelizmente. E persistir num projeto de menor importância como esse seria perda de tempo. Pensei em continuar a história a partir dessa última parte, mostrando o futuro de Cássio como escritor, seus novos escritos, tentativas de publicação, entrevistas com editores e tudo de mais, mas não seria verdadeiro. Minha criatividade, seja grande ou não, não se dedicou tão intensivamente a este texto, e não vou desafiar a mim mesmo. Ainda resta a esperança de assistir a trilogia de filmes entitulada ‘A trajetória de Cássio’, a quem tiver gostado do texto. Ou seja, qualquer leitor que tenha chegado a este final, exceto aqueles que apenas lêem todo o conteúdo de uma obra com o único intuito de critica-la, mas tamanho perdedor também se sentiria obrigado a assistir os filmes.
Quarta-feira, Agosto 21, 2002
excerto de meu antigo blog (coiote.pitas.com
)
Cena do filme ‘A Mão Diabólica Com Estrabismo’(título provisório), de Led, Paulinho, Bill, Johnny, GauGau, Perna e Ricardo
-Ô cara...dá um help aí
-Que foi?
-To com uma espinha...
preciso que tu esprema pra mim
-Como é quê é??
-É, cara...
-Pq não espreme tu mesmo?
-É na bunda, cara
-Oq?!
-Tô com uma mega espinha na bunda, dói pacas, espreme aí pra mim, favor
-Tu tá louco??? Acha que eu vou espremer uma espinha da tua bunda?!
-Pô, to te pedindo, se fosse contigo, eu esprimia na boa
-Iiiiiiih, não gostei do papo...como é q vou espremer uma espinha na TUA bunda? Não gosto nem de tocar na minha!
-Qual é meu, tá doendo isso aqui, mal posso sentar, espreme aí vaí
[Nisso ele se vira, meio de lado, e abaixa um pouco as calças, deixando visível ao companheiro parte do seu traseiro branco peludo e aquele caroço nojento cheio de pus com um vermelhão já marcado em volta]
-Não vou espremer, NÃO VOU! NÃO-VOU!
-Po, confiei em ti né, mermão...to te pedindo, por favor
-Cara, tá cheio de gente aqui, oq que vão... [pausa para fazer cara de repulsa]...que q vão pensar??
-Ah, todo mundo já passou por isso
-Na bunda? não
-Cara, vai lá vai, é rapidinho, aperta ali, pa pim, zuuupt, e bum! foi-se a espinha
-Acho que vou embora...
-=(
-Não faz carinha de puto apaixonado pra mim não ¬¬
-descupinha... =(
-Tá, tá, vamo ali atrás do mcdonald's
(yupi!)
Benflogin
O menino, só em seu quarto, caminhava por sobre os contornos luminosos de seu corpo.
sua mãe grita: 'Trevor! Trevor! são três e meia, vai dormir.'
Trevor seguiu tentando fazer menos barulho. Enquanto observava as luzes piscando ao seu redor, percebia o ruído do ventilador mutando. Às vezes suave, quase agradável, outras extremamente irritante, entrando em seus ouvidos como foices e infligindo-lhe dor à cabeça. Seguia a caminhar, Trevor.
Por volta das quatro e mai, deitou-se sobre seu colchão a pensar. Lembrava o que fizera durante o dia. Distraído em seus pensamentos, viu-se conversando com amigos, gargalhando alto, assistindo a um show. Assim foram várias vezes, e sentia-se decepcionado cada vez que despertava ao abrir os olhos e ver que estava só em seu quarto.
Trevor queria dormir, mas tinha pouco sono. Após pouco mais de uma hora não via mais qualquer tipo de luz, senão dos postes na rua e da lua, entrando pelas frestas da veneziana. Permaneceu acordado apenas mais meia hora, planejando o quê fazer no dia seguinte.
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celebraremos todos os dias
como o dia do fim do mundo
Nos embriagaremos e gozaremos
sobre nossos corpos suados
Só não permita ao tigre comer nossa carne
até que esta esteja desprovida de vida
E nossas mentes, desprovidas de invólucros
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Terça-feira, Agosto 20, 2002
"As Experiências de Tonton"
uma série de contos despretensiosos
Tonton discutia com seus amigos a teoria do contínuum espaço-temporal, segundo a qual uma mudança qualquer na série de eventos da história alteraria gravemente os eventos futuros. Como voltar no passado, tocar em uma folha e retornar ao futuro encontrando tudo diferente de como estava antes. Mas Tonton discordava e, anos mais tarde, teria a chance de provar-se certo. Graças aos avanços da física e a falta do que fazer da maior parte da sociedade científica do hemisfério norte, fora inventado um aparelho capaz de lançar uma pessoa de volta no tempo, mas ninguém ainda havia testado. Tonton, não pergunte-me como, conseguiu invadir o laboratório secreto onde estava o aparelho, e retornar milhares de anos no passado.
Encontra-se então em uma grande e espaçosa floresta. Ele pega uma folha duma árvore e rasga-a.
'Eu ainda estou vivo, acho que nada mudou. Agora é só voltar para o meu tempo e ver que está tudo normal. mas ei...como faço para ir pro futuro?!'
então uma nave surge ao seu lado, e dela sai um homem do futuro. Exatamente igual às pessoas normais, mas sem dentes
'Quem é você?'
'Eu sou o homem do futuro. Veja, no seu tempo não haviam inventado meios de se viajar ADIANTE no tempo, por isso você ficou preso aqui e, no seu tempo verdadeiro, dado como desaparecido. Mas muitos anos depois, foi inventada uma máquina capaz de avançar e retroceder no tempo. Eu vim leva-lo pra casa'
'tudo bem, tudo bem, mas responda-me algo: pq vc nao tem dentes?'
'No futuro toda a ingestão e defecação alimentares são feitas atravéz de um mesmo orifício'
O homem fica pensativo por uns instantes, e faz cara de nojo.
'Ok, vamos embora'
A folha que Tonton deixara no chão serviu de alimento para uma sociedade de formigas que migrou para aquela área minutos depois, depois de terem seu formigueiro destruído pela nave do homem-do-futuro. Não houveram mais graves conseqüências.
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muito texto? pouco diálogo?
da série de máximas que não gostaríamos de ler:
'entre um e outro está o meio'
'busco respostas a perguntas que não foram feitas'
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Sempre reclamei de não ter sapatos. Até que conheci um homem que vendia Reefs a preço de custo.
-o q seria 'munaia'?
-é um apelido chulo para a genitália masculina, usado normalmente por escritores que aplicam linguajar grosseiro em textos de alta qualidade, como eu.
-hm?
Sexta-feira, Agosto 16, 2002
Fórmula Mágica:
para criar uma nação comunista, tudo que você precisa é colocar nas mãos do Estado todas as finanças internas do país, desde que, é claro, o Estado não tenha condições de mante-las.
(apenas um pensamento que me ocorreu quando meu padrinho, músico e entendedor de comunismo, disse que na União Soviética várias orquestras tiveram que ser simplesmente 'desfeitas' por que o Estado não tinha como sustenta-las ¬¬)
Mas a intenção é boa.
de volta ao meu país de origem... O ideal seria evitar a entrada de multinacionais no país, ou GARANTIR com que uma parte significativa dos lucros delas fosse destinada aos fundos do Estado (claro que, independente do sistema governo, isso não seria de forma alguma benévolo a um país com um governo corrupto). Lucro gerado DENTRO do país VOLTA para o país. Boicotar multinacionais seria, pelo menos agora, um grande erro para o Brasil, devido aos óbvios conflitos internacionais que isso geraria, e nos opor às grandes nações que encrustam suas empresas na nossa economia nos afundaria. Mas um fortalecimento econômico gradual, atravéz de apoio a empresas nacionais e a leis de regulamentação às multinacionais aqui instaladas, aliado a uma limpa nos altos escalões do nosso governo, seria a chance do Brasil de, além de mostrar para o resto do mundo o valor que esse país pode ter, garantir as obviamente necessárias melhorias internas que precisa.
Com mais tempo e disposição pensaria e elaboraria melhor essas idéias, mas não quero me prolongar nesse assunto-ao menos não agora.
comentem, por favor
hehe
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O que não fazemos por amor?
Um amigo meu, por exemplo, costumava invadir um cemitério pra pegar cachaça de macumba e beber. Outros realizavam orgias sexuais no mesmo lugar.
E foi numa dessas encruzilhadas sexuais em cemitérios que me apaixonei pela primeira vez. Mas ela era muito fria comigo ;\
peço perdão, esse é o fruto da falta de idéias para posts
é o que o tédio e a sobriedade (aliás, freqüentes aliados esses, não?) fazem com uma das maiores (senão A maior) mentes pensantes da história
Domingo, Agosto 11, 2002
